Depois dos 21

Faz dois anos que eu abro minhas agendas e esboço um "after" do texto "Antes dos 21". Ainda lembro me lembro do dia que escrevi aquele texto e como achei a ideia genial - igual a essa de fazer um texto comparativo anos depois. Eu estava dormindo na casa de uma (ex) amiga ( se é para ter ex, vamos ter direito), enquanto todos dormiam, eu digitava nas notas do meu primeiro celular que tinha comprado com minha bolsa do meu primeiro estágio remunerado.
Eu reli o texto depois e alguns anos ( não vou dizer os exatos pois estou  na crise de idade dos vinte e poucos) e ri muito. Como eu tinha certeza que depois dos 21 a minha vida não mudaria mais nada.
Depois dos 21 eu saí do Maranhão pela primeira vez, pela segunda vez, terceira... não quero outra vida a não ser viajar. Só ganhar mais dinheiro para poder viajar ainda mais.
Depois dos 21 consegui ressignificar toda a minha vida e tudo que vive: me perdoei e perdoei pessoas que jamais imaginei que iriam me magoar, minhas feridas cicatrizaram e ajudei outros a se curar. Revivi dolorosamente todas as minhas experiências traumáticas para que pudesse, por fim, me livrar de alguns fantasmas do passado. Já os que não consegui, aprendi a dançar com eles.
Todos aqueles três grandes amores que vivi antes dos 21 se juntaram em uma só pessoa: eu tenho um melhor amigo, que mesmo não tendo um passado juntos, construiu lembranças boas e saudosas, como de um amor adolescente, que aguenta todos os sapos que a convivência e os meus defeitos o fazem engolir e é intenso. Sim, do contrário de antes, eu quero estar ainda mais amarrada, não me imagino mais voando sozinha. Esse amor me mostrou que não existe essa de número certo e que sapato pequeno, apesar de bonito, uma hora vai se tornar insuportável de usar. Eu tenho os três amores em uma só pessoa ( e peço a Deus que pare por aqui, risos).
Hoje eu não moro mais na minha ilha querida: foram 6 anos de amor ambivalente. Sinto falta até do trânsito e da correria estressante de lá, parafraseando Gonçalves Dias : "não permita oh Deus que eu morra sem que eu volte para lá."
Conto hoje com poucos e fiéis amigos. Não precisamos nos falar todos os dias para provar cumplicidade e fidelidade. Muitas pessoas saíram da minha vida mas as essenciais permaneceram.
Não só de quebra de amizade/relacionamento vive depois dos 21 anos mas também de reconciliações,  principalmente familiar. Eu tinha ressentimentos que não admitia e foi preciso eu sofrer muito para aprender pedir perdão.
 O ato de pedir perdão sempre me acompanha. Não pense você, caro leitor que perdoar para mim é algo fácil: eu, às vezes, sou um poço de orgulho e não me orgulho disso. Mas quando eu me permito passar pelo processo, o final é LIBERTADOR.
Depois dos meus 21 me formei em psicologia, trabalho na minha cidade natal com violação de direitos. Tenho algumas especialidades e demorei um pouco para ver meu potencial como psicóloga. Hoje eu sou a melhor psicóloga do (meu)  universo. Nem que seja o paralelo ( RISOS).
Minha família é tudo para mim. Inclusive aumentou. Eu morro de amores e orgulho de cada membro dela.
Depois dos 21 fui pedida em casamento em um show de stand-up comedy, tivemos nossos 15 minutos de fama nas redes sociais com direito a meu noivo ser reconhecido no ônibus e até este blog que vos fala foi notado ( achei super chique ).
Depois dos 21 aconteceu muitas coisas. O que eu imaginava não chegou nem perto do que realmente aconteceu. E está quase tudo aqui: em formas de devaneios, de textos soltos... Esse blog continua sendo terapêutico para mim, assim como escrever nas minhas agendas.
Eu olho para trás e tenho orgulho do caminho que trilhei  e da mulher que estou me tornando: não olho mais tanto para as feridas, sigo admirando minhas cicatrizes. Ainda reclamo do cansaço mas aprecio o processo. Todos os dias penso em desistir mas Deus me diz sempre que não me deixará, nem me desamparará ( Hebreus 13:5b).
Eu vivi. E depois dos 21 eu entrei na academia mais uma vez. Passei dois meses. Desculpa gente, eu descobri que sou de PILATES. Não quero mais ser panicat, só quero ter vida saudável e cancelar todas as alergias.
Tentei aprender a tocar violão pela terceira vez, inclusive comprei um violão. Também estou tentando aprender Ukulele. Ambos sozinhas. Uma hora pelo menos uma música, sai.
Esqueci essa ideia de tentar compor músicas, meu negócio é escrever uns textos mais ou menos que uma hora outra fará sentido para outra pessoa além de mim e cantar. Mas só canto no chuveiro porque eu sou bem tímida. 
Deixei de lado patins, skates e patinetes.
Andei pilotando uma moto de 150 cilindradas sozinha por conta da necessidade e foi massa!
Nunca tirei minha carteira de habilitação. Tanto ameacei bater o carro do meu irmão no portão que acabei batendo o carro da minha futura sogra e levando um prejuízo de R$400,00. Hoje tenho pesadelos dirigindo carro e percebi que estou traumatizada. Mas a habilitação vai sair.
Tenho duas tatuagens e um piercing e pretendo fazer mais. 
Depois dos 21 virei empreendedora, empresária, vendedora e entregadora da minha loja virtual.
Meu primeiro salário depois dos 21 eu gastei só com roupas mas depois me tornei uma consumidora consciente. Minha mãe diz que eu só estou segura com dinheiro mesmo.
Depois dos 21 estou passando por uma pandemia e todos os dias tenho a convicção de que a última alegria do brasileiro foi o penta.
Adquiri muita maturidade mas não o suficiente. Tenho muitas coisas para viver depois dos 21 e daqui a alguns anos farei outro texto , tendo coisas bonitas pra contar.
Até lá vou me permitir viver cada dia e devanear sobre tudo, afinal, é assim que esse blog ganha conteúdo.
Ah, e feliz aniversário para mim!
 

O Leão

Imagem do Pinterest


Me persegues, mesmo sabendo que logo me alcança, eu não evito correr.
Me cercas, embora cheio de medo, sei que é para me salvar.
Não consigo imaginar o tamanho do sacrifício do Leão, dando a sua vida para quem não valoriza está dádiva.
Eu quero tocar o Leão, mas o peso da minha traição me impede de alcançar.
Eu corro dos meus inimigos em um caminho de águas cristalinas onde eu posso vislumbrar. Me deparo com mim mesmo, sendo minha própria ferida, pronta para mais uma vez me sabotar.
Eu olho pro reflexos e a corrente que borra a minha imagem me faz querer desacreditar.
Eu quero tocar o Leão mas meus pés doem, estou sem forças de lutar.
Antes ele me perseguia, hoje só tenho o seu silêncio. O temor de outras horas sinto falta de tentar evitar.
Me encontro agora encurralada, em minha culpas e ao Leão eu começo a gritar.
Um rugido estridente, quebrando minhas cadeias e orgulho fazem meu coração saltar. É o meu amado, querendo me levar pro lugar secreto, pelo seu amor – o lado que eu não compreendo – me tornando corajosa e dando força pra finalmente tocar o Leão.

Apaixonada por Palavras

Foto autoral

Hoje eu li várias crônicas de um livro que ganhei ( esse na foto acima). Carinhosamente quem me presenteou não sabia o quanto eu sentia falta de escrever. Quanto tempo coisas boas não me inspiravam mais!? Não lembro!
Graças a Deus por ter tocado no coração de quem me presenteou pois cada crônica lida a inspiração só vem aumentando e ampliando sobre o que eu escrevo.
Eu escrevo à moda antiga. Posso dizer que sou uma escritora cheia de rituais de escrita: todo ano eu compro uma agenda de um determinado personagem. Escrevo exatamente no dia em que a inspiração vem e se não couber na folha, escrevo nas páginas para trás, não importa se tem folhas em branco na frente. 
Se a minha agenda não estiver por perto eu escrevo aonde tiver espaço em branco, como contas, guardanapos...não é a toa que vivo cheia de papéis avulsos dentro das minhas coisas. Enfim, o que for e estiver disponível  para depois passar a limpo.
Teve um ano que comprei uma agenda de outro personagem, e até algum tempo atrás, foi o ano que eu menos escrevi (Coincidência? Expliquem essa, ateus rs).  Depois disso nunca mais mudei de agenda. Quantos rituais só pra "devaneiar" não é mesmo!?
Eu percebi de alguns tempos pra cá que deixei de escrever . Não era mais culpa da agenda. Tinha algo acontecendo dentro de mim. Percebi uma mistura de falta de autoestima criativa com a correria de uma vida adulta cheia de responsabilidades.
Antes eu escrevia sobre amores: aos que me deram pé na bunda, aos que eu cansei de esperar. Eu escrevia também sobre aquele que é o meu par. As dores do amor eram curadas através da minha paixão por palavras.
Hoje tanto as questões  escritas quanto as pessoas andam tão egoístas que se eu fosse escrever seria um livro com o titulo de "O Muro das Lamentações".
A vida adulta tem disso: nos desperta dos nossos devaneios para a dura realidade.
Eu despertei para a minha paixão, para a minha terapia alternativa. Quem sabe esse presente não foi o bálsamo para as minhas feridas da vida.

Carta para Kaique


Peritoró, 04 de setembro de 2017
Hoje faz um ano que você entrou na minha vida, e hoje eu mergulhei no mar das boas lembranças o dia que eu soube da sua existência. Dia 05 de janeiro de 2016, às 05:00hs da manhã, sua mãe me mandava mensagens louca de felicidade e espanto, enquanto eu dormia, até que as 06:00 hs, depois de muita insistência e aflição de contar a novidade, eu li uma das mensagem mais feliz daquele ano. Achei está sonhando, ou apenas uma brincadeira que ambas estavam acostumadas a fazer, inclusive pedi pra ela tirar uma foto segurando o teste pra eu acreditar naquela noticia.
Foram meses planejando sua chegada, escolhendo o seu nome, você comemorou a minha formatura na barriga com uma linda declaração de batom, senti parte da família. Aliás, devo dizer que sua mãe é como uma irmã pra mim. Sentia como se você também tivesse sido gerado por mim ( por isso és lindo assim, puxou pra mim na beleza HAHAHA ). O que foi gerado em mim foi amor por uma pessoinha que eu ainda não tinha visto. Foi ai que sua mãe me intimou a ser dinda do coração. O melhor presente que ela poderia me dar.
Lembro também do dia em que você nasceu. Eu estava ansiosa pra sua chegada, mesmo a 958,9 km longe daquela sala, meu coração estava em oração pra que tudo saísse bem. Se eu estivesse por perto, com toda certeza teria feito o barroco pra poder entrar na sala, nem que fosse pra desmaiar e passar vergonha. 
Quando vi sua foto pela primeira vez, de fato senti um pouco do que a sua mãe sentia do que é ter uma pequena vida pra ( ajudar) cuidar, quando te peguei no colo toda desajeitada, senti uma completude. Me preocupei quando você demorou a pegar o jeito pra mamar e quando adoeceu. Ri das peraltices que sua mãe me conta, das fotos e videos que ela me manda de você aprontando e fiquei feliz ao saber que você comeu sua primeira comidinha.. Fiquei com ciúmes quando um pouco de ciúme quando gostou mais do colo do tio Jackson do que do meu.
Hoje você está um rapazinho de um aninho. Um presente pros seus pais, sua família e agregados (EU!). Eu amo muito a sua família, a sua mãe é uma das minhas melhores amigas, daquelas bem antigas, de 1900 e antigamente. No inicio eu e o seu pai não nos cheirávamos( porque eu sou implicante) mas você chegou pra unir tudo.
Essa é a primeira carta das quinze que a dinda vai te escrever que a mamãe e o papai vão te entregar quando for o tempo certo. Mas pra agora, na sexta estou chegando e vou te abraçar e cheirar até você chorar de tanto grude. Feliz aniversário meu príncipe. Amo você

2 anos





Planejei algo mas as circunstâncias acabaram me levando a trilhar um caminho doloroso, que é o do perdão. Depois do Toque do alto alcançar esse meu coração maltrapilho, resolvi procurar pistas que nos trouxeram até onde chegamos.
Tudo começou no culto "O banquete",aliás, para mim começou quando a minha miopia milagrosamente desapareceu e eu consegui te enxergar na ultima fileira de cadeiras do lado esquerdo da igreja, enquanto eu louvava o Senhor com minha dança. Naquele dia eu declarei que você seria minha nova paixão platônica. Mas o nosso Deus não é um Deus que une pessoas, ele uni propósitos e o nosso começou no dia 18 de dezembro de 2014 quando eu ainda te chamava de Gigante de Aço e você me chamava de Menina Linda. A diferença das nossas alturas nunca foram desculpas para um abraço tímido de amizade especial, mesmo que eu não conseguisse te alcançar em um abraço, você me prometeu que me colocaria nos pés. Como brisa leve ou ventania, você chegou para que eu aprendesse que o amor de Deus sobre a minha vida tinha sua extensão



E na minha primeira oração do ano seguinte, entre louvores de gratidão, lá estava você que com um sorriso amarelo e  grande me fez amar seu coração e lembrar que fazia tempo não me sentia assim com alguém: em paz, em par. Mesmo não conseguindo ainda definir o que sentia continuei a caminhada segurando a sua mão, em prece, que mais na frente iriam nos mostrar que todo aquele misto de indefinições era amor. É amor! Tudo que temos hoje foi construído a partir do momento que decidimos amar: a Deus, um ao outro e vidas.
E passaram 1,2,3...8 meses de preces para que teu coração e o meu fosse um só diante de Deus. E hoje chegamos até aqui. Acabou, como diria o Pr. Abe Huber : "Isto é só o começo!"
Discussões, separações, momentos de "ownnn" e outros de "AHGRRRRR!", alegrias e tristezas, primeiros empregos e decepções com a escolha das carreiras, chegadas e partidas, um temporal que fez você mudar de planos, um show de stand-up e um pedido de casamento mais engraçado e lindo do universo ( pelo menos o meu universo)




Não meço minhas palavras pra dizer que você é minha "yellow umbrella" , meu "lebenslangerschicksalsschatz".
Imagem da Web

 E que eu não roubaria apenas uma trompa azul pra você, mas por você eu roubaria uma orquestra inteira.
Imagem do Tumblr

Precisamos falar sobre vida



A juventude é analogia perfeita para o que de fato é a vida, caso pudéssemos defini-la.  Essa mesma  vida que se fraciona em fases, estações...
Vida que tem inicio e em algum momento terá fim. E quem vive ( ou apenas existe, vegeta, e etc.) quase nunca para pra pensar na finitude de algo  tão liquido, que se nos agarrássemos, se fecharmos a mão, esvai. Não dá para repor, não dá para trazer de volta.
Ouvi dizer que muitas vezes, diante da morte, os verdadeiros milagres são os que ficam. Eu tenho que concordar que sobreviver com a falta é um comportamento milagroso.
Quando uma vida se vai, o que fica são as pessoas que dedicaram amor, companhia, experiências compartilhadas , lembranças marcadas em fotografias, sorriso que muitos irão levar por uma vida inteira, outros por algum tempo até que os detalhes vão se perdendo, cai no esquecimento.
No hoje, fica o remorso do ontem não ter dito "eu amo você", "eu te perdoo", ou "como minha vida é melhor por ter você". E começam a surgir os porquês: por que eu o (a) deixei ir? Por que eu não a abracei? Por que Deus o (a) levou ? Por que eu não ofereci flores em vida?
Diante de uma tragédia recente que teve uma vítima fatal, vi em uma rede social a seguinte postagem: " Cada vez que um jovem se vai, (independente da aproximação que temos com ele ) vai também uma luz inconsciente do nosso coração que sempre acredita na FORÇA DA JUVENTUDE." Eu concordo. Algo se foi também de mim. Seja por compaixão, empatia ou por me dar conta da linha tênue entre a morte e a vida. Algo se foi. mas também muita coisa fica.
E é o que fica que quem sobrevive, seja a um acidente, uma perda ou traumas, tem que administrar, tem que escolher o que fazer mas não neste ou naquele exato momento, mas quando o luto passar, a dor. Isso nunca passa. Já dizia algum físico ( sou de humanas, não sei quem disse, rs ) que na natureza, nada se perde, tudo se transforma, que possamos transformar a nossa dor, a nossa ferida, em cicatrizes que podem ser  futuramente bálsamo para as pessoas que sofrem como um dia a gente sofreu. Que possamos abraçar mais, perdoar mais, demonstrar nosso amor e gratidão em vida, afinal, se apertarmos muito a vida, ela foge... ela é liquida.

Carta póstuma à Augusto


Imagem da web

São Luís, 05 de junho de 2016
Olá pai, faz mais um ano que você foi embora. Já são seis anos que eu não te vejo. No começo eu não aceitei muito bem a ideia da sua partida, cheguei a questionar a Deus o porquê. Eu sei, toda errada. Não foi assim que me ensinaste, mas a ser grata a tudo, até aquilo que não é agradável.
Estou a duas semanas de terminar a faculdade, posso dizer que venci na vida ( esse é um jargão de uma menina daqui de São Luís que ficou famosa por nada, sei que iria odiar ouvir os snaps dela.). Foi difícil chegar até aqui, incontáveis foram as vezes que eu quis desistir. Deus não deixou. Mamãe também não. Fico triste por não poder dividir esse momento tão esperado com você, assim como a Nayra e o Thallysson ficaram. Mas você estava lá, no coração dos dois. Assim como vai estar em todos os momentos importantes da minha vida, no meu coração.
Vai ser difícil não entrar coom você na minha formatura, no meu casamento, não ver os meus filhos te chamarem de vovô. Ah, como eu queria tudo isso!
Sabe, a gente tem se virado bem. A gente cresceu bastante. Dona Tânia mostrou sua real força, que apesar da carinha de boba, ela é uma guerreira. O Thallysson, bom, ele é o melhor irmão do universo. Desde aquele dia terrível, nunca deixou de cuidar de mim. Um homem feito. Não só da idade, mas de atitudes.
Eu passei por muitas decepções. Por que quando conversávamos na porta de casa vendo estrelas, o senhor não me falou que era difícil ser adulto? Será que deixou com a vida a tarefa de me ensinar essa difícil lição. Talvez, suas conversas sobre a infância era a deixa pra alertar que eu devia continuar sendo criança. E tem sido assim que eu vou vivendo até o momento: tentando ser criança no amar e perdoar.
Falando nas estrelas, por um bom tempo foi dolorido olhar pra elas. Hoje eu olho pra elas junto com o Jackson, ele sempre fala que queria ter te conhecido e ter sua aprovação. Ele é folgado, mas tenho certeza que iria gostar dele.
Sua partida deixou um buraco enorme. Não fica triste! Deus já preencheu. E eu sei que escrever tudo isso pra alguém que nunca vai ler parece bobo, tosco... que eu seja. Só queria ter a sensação de conversar com você. Sem um céu estrelado, mas um papel todo rabiscado com um ar de curiosidade, de uma pergunta que nunca será respondida, de uma valsa perdida. Eu sei, que se estivesse aqui, se orgulharia de mim.

A menina que habitava em mim

Imagem da internet

Acho que estou em meio a crise de identidade, aquela típica crise que acomete os jovens adultos, que tentam se desprender das irresponsabilidades comuns e superficiais para assumir grandes responsabilidades que  a vida traz.
Dói crescer. E é quando começa a latejar que costumamos buscar na caixa da lembrança a criança que um dia fomos, a inocência que um dia habitou em nós.
Ah, se aquela menina que habitava em mim - que sonhava em ser adulta o quanto antes - descobrisse que crescer era uma tortura necessária, teria preferido viajar para a Terra do Nunca e se tornar uma versão feminina do Peter Pan. Teria preferido estudar no quadro negro quebrado no fundo do quintal da sua casa, onde o problema de difícil solução  era 2x10.
Não imaginava e teve que crescer bem antes do que previa em seus devaneios infantis. Viu que ser adulto, por diversas coisas, às vezes é um saco, e que mais difícil que 2x10, são os inúmeros trabalhos da faculdade assombrados pela bruxa da ABNT.
A menina que habitava em mim sonhava com um casamento digno de uma super produção da Disney, com um homem que ela não conseguia imaginar o rosto, mas que tinha certeza  que todo amor que havia guardado em seu coração um dia, seria dele. Ao invés disso, a menina cresceu e entregou seu amor pra "qualquer uns" que levaram aos poucos cada pedaço do seu sonho, pedaços de quem ela era, até ficar apenas os escombros.
Se ela soubesse que aquela briga com sua melhor amiga na infância por causa de um chocolate não foi a pior de todas  que viriam, teria comprado mais chocolate para desbancar os conflitos intensos de hoje, onde todos estão certos e ninguém dar o braço a torcer. Sim, o fim dos conflitos seriam tratados de paz com um doce compartilhado que em silencio diria :"eu te perdoo".
Eu me pergunto se a menina que habitava em mim se orgulharia da mulher inquilina. Será que ela não iria fazer caretas pra essa mulher tão ranzinza? Será que reconheceria nesta mulher o seu sorriso e seus sonhos de infância? Será que ela teria vergonha das minhas vergonhas, ou até mesmo daquilo que estufado no meu peito, me orgulho ?
Essa criança ainda vive em mim, ou eu a mandei embora, a matei? Tudo que eu mais queria agora é aquela menina de volta.

Luzes na cidade


A sensação era a de que aquele cubículo a qualquer momento poderia me engolir, apertava meus livros contra o peito para que aquela sensação claustrofóbica desaparecesse. 12°, 13°...olhei para ele e sorri tentando disfarçar o meu medo ou talvez mostrar que era durona e corajosa. Ele me devolveu o sorriso como se tivesse entendido a mensagem subliminar que passara. Não sei mas aquele sorriso acalmou o meu coração.
14°,15°...enfim chegamos! A cena parecia de filme de terror. E mais o meu coração palpitou de medo e tive vertigem. Nunca estive em um lugar tão alto.
Mais umas escadas, portas de emergências macabras, uma janela que mal cabia o meu corpo - ou talvez eu fosse desajeitada o bastante para não caber - e lá estava a cena mais linda que vi até agora; o medo de altura e a vertigem se confundia com a paz e a gratidão de , após um dia corrido, admirar as luzes da cidade aos poucos se acederem, enquanto a penumbra se transformava em breu.
Fechei os olhos e agradeci. Muito. A Deus, por estar naquele terraço e por me aventurar na companhia que estava. Olhei pra ele e o abracei. Continuei a olhar para o horizonte de carros que mais pareciam vaga-lumes e não conseguia pensar em nada, a não ser o quão bom era ficar ali.
Eu lhe jurei amor mais uma vez com sussurros, dessa vez olhando para o céu  que começava a salientar as tímidas estrelas.
Senti o vento nos cabelos e no rosto, enquanto eu sentia todo amor dele por mim, com o gesto puro de segurar as minhas mãos.
Naquele momento desapareceu tudo para nós. Ficou Deus, ele, eu e os nossos planos de um futuro juntos, brilhando junto com as luzes da cidade que se acendia.

Quase Psicóloga





Primeiro dia de aula na faculdade e uma pergunta do jardim de infância ( aquelas do tipo: qual o seu nome e o que você quer ser quando crescer) marcaram o inicio da minha vida acadêmica:
 "Qual o seu nome e porque você está fazendo psicologia?"
 Lógico que eu respondi prontamente: "Meu nome é Thayllanna, estou fazendo psicologia porque fui aprovada pelo Prouni. "
O que não deixou de ser verdade, consegui uma bolsa parcial para cursar psicologia no segundo semestre do ano de 2011. Por que eu entrei? Pra não ter que voltar pro interior e ser infeliz fazendo enfermagem ou nutrição ( nada contra os enfermeiros e nutricionistas ), enquanto eu tentava arduamente passar pra Direito.
Depois que eu cheguei em casa naquele dia, continuei como questionamento ( imaginem um balão de pensamento e nele escrito o seguinte devaneio ): "O que eu estou fazendo naquela sala gelada com quase 80 alunos, uns estranhos demais, outros comuns demais? Sou mais uma lá."
Dia 27 desse mês se comemorou o Dia do Psicólogo, o dia do profissional que além de estudar mente e comportamento ama pessoas e tudo que as remete.Lembrei -me também que este é o último que comemoro sendo apenas estudante e fiz uma retrospectiva de tudo que já passei ao longo da graduação.
90% e pegando o lápis com a ajuda de uma calculadora ( sou de humanas, tá?), talvez eu tenha pensado em desistir do curso 10 vezes por período, umas pensando que o curso não era pra mim, outras, com saudades de casa e o colo da mamãe.
90% e o meu circulo de amizade era em torno de 10 meninas, hoje tenho uma roda de quatros psicompanheiras, psicoamigas que, entre si, já brigaram, se afastaram, sorriram, choraram e se ajudaram.
90% e eu já fiz mais "atendimentos" com amigos que um psicólogo abrindo sua própria clinica assim que se forma. Meus amigos e seus conflitos eram/são meu estágio. Não era raro um amigo chega até a mim e perguntar coisas do tipo "o que a psicologia acha sobre isso?", "estou precisando de uma consulta gratuita", "Lanna, você faz psicologia, tenho certeza que pode me ajudar", "Mas ele (a), ta errado (a)","o que eu faço amiga, tu é psicóloga, pode me ajudar". Mesmo que por muitas vezes usando um simples conselho de amiga ou de quem está de fora da situação, pude aprender muito nos meus "atendimentos gratuitos". Técnica que eu usava com meus queridos amigos/clientes/pacientes ? Abraço terapêutico, fisicamente e em seus conflitos. Ah, como eu abracei seus conflitos.
90% e descobri que ensino superior é diferente de ensino médio. Como verbaliza o senso comum é "cobra engolindo cobra" e a teoria de Darwin prevalece até nos momentos mais afetivos entre os colegas de classe.
90% e eu descobri que muita gente entra pro curso mas que não veste a camisa do mesmo. Há muitos egoístas, orgulhosos, prepotentes, juízos de valores disfarçados de altruísmo e que com o tempo, todas as mascaras caem. Mas existem também as pessoas que são psicologia do dedinho do pé até o ultimo fio de cabelo, que amam o que estudam e o que fazem, essas sim valem a pena chamá-las de futuros psicólogos.
90% e eu já tenho meu referencial teórico definido e a área de atuação também. Mas não vou dizer que o que tenho sentido tanto esses dias é ansiedade. Não vou mentir dizendo que não tenho medo do mundo para além do acadêmico, que é tão cômodo e apesar de tudo, tão sem responsabilidades. Não vou deixar na inconsciência o meu desespero de olhar pra trás e ver tudo que eu já estudei e chegar a conclusão que eu ainda não sei de nada. E quem é que sabe? E quem é que conclui ?
90% e ainda dar vontade de quebrar a cara de quem diz que eu vou morrer de fome, ou quem pergunta se psicologia dar dinheiro ( ouvi dizer que a única coisa que dar dinheiro é mãe, o resto você tem que correr atrás pra conquistar).
A Psicologia ( ou o Prouni ) me escolheu. Às vezes é bom ser escolhido. Você sendo uma escolha, imagina ser amado por quem o escolheu e aprende a amar este "quem" ( no meu caso, o "que").
Hoje eu tenho a resposta 90% certa da pergunta do jardim de infância feita a mim no primeiro período: Meu nome é Thayllanna, eu faço psicologia por causa do Prouni sim. Mas eu descobri que ela é o meu amor, eu amo gente, amo cuidar de gente. Eu amo psicologia.  

P.s.: Este texto não está formatado segundo a ABNT, não é científico e está cheio de juízo de valores
Ps.2.: A autora do texto no momentos está descabelada pensando em seu TCC, porém, ama muito tudo isso.
P.s.: Amei fazer "P.s's" 

Retrovisor




E então, você está vivendo os melhores dias da sua vida: em comunhão com Deus, em paz com a família, ao lado de amigos que sabe que sempre poderá contar, em um relacionamento que te faz transbordar, de bem consigo mesma, quando de repente, o fantasma do passado resolve aparecer. 
E você tem batalhas mentais entre o bom tempo que se está vivendo e os dias difíceis que pensara ser passado.
O fantasma sempre volta: Deus te abandona, tua família te despreza, teus amigos desaparecem, teu relacionamento explode. Tudo resulta em você achar que é o ser mais desprezível do mundo por começar a estragar a nova chance que tem. 
As situações fazem isso com você quando você não as controla. E que tal se começarmos a olhar o passado como que para um retrovisor? 
Uma vez eu vi o pôr-do-sol através do retrovisor do carro e pensei: " Poxa, como eu queria voltar até lá e admirá-lo!", mas quanto mais eu avançava, mais distante ele aparentava estar. Parei de olhar pelo retrovisor e olhei pra frente, afinal, eu precisava chegar a um lugar e pra isso, a estrada que eu precisava percorrer merecia minha total atenção.
O passado precisa ser olhado porque ele é responsável pelo o que nos tornamos, pelos nossos aprendizados, mas não podemos voltar a ele todas as vezes que algo não dar certo e achar que por causa dele, não merecemos chegar para além das nossas expectativas, que não merecemos chegar ao nosso destino. Não dar pra voltar ao erro na tentativa de consertá-lo. Mas ao olhar pelo retrovisor, não ter motivos para querer voltar pra consertar algo. 
Quando eu entendo nas situações que são parecidas com o que eu passei, eu posso fazer diferente do que eu fiz, eu me aproximo mais uma vez de Deus, sabendo que ele nunca se afastou. Eu sim. Eu busco perdoar e ser perdoada pela minha família e amigos, porque assim como eu, eles também têm seus dias difíceis. Eu procurar amar com mais intensidade aquele que me faz transbordar em mim mesma, pois sei que ele é a extensão do amor de Deus por mim e consequentemente me torno o ser mais digno de receber e principalmente dar o meu amor.
Eu olho pro retrovisor e a minha vontade não é retroceder. Eu vou avançar! 

Minha mãe é essa coca-cola toda

( Tânia Maria : a coca-cola toda )


Faltando apenas uma hora para findar este dia em que se comemora o dia da mães, vim às pressas postar uma homenagem a minha mãe. Eu poderia postar amanhã, afinal, pra mim todos os dias são dela, ja que esse emprego sem remuneração é exercido em tempo integral.
Quem conhece a minha mãe sabe que ela é a fofura em pessoa guardada dentro de um frasquinho ( mas grande pra quem ama ), muitos nem imaginam o quão forte essa mulher é : cuidou dos irmãos, precisou sair de casa pra ter uma formação, cuidou e educou muito bem os filhos, segurou as minhas mãos em oração quando eu pensei várias vezes desistir...e ela nem sabia.
Mas mãe é MÃE! Elas sempre sabem, são profetas por natureza e fonte de sabedoria vinda do Alto.
Não saberia descrever o que é ser mãe, só sei que é um ser privilegiado por conceber a vida, por saber o que é amor incondicional por um rostinho que ainda não viu. É querer tomar a dor do filho pra sofrer em seu lugar. É fazer o possível e o impossível pela felicidade dos filhos, fazer de suas necessidades, motivo de oração.
Talvez ser mãe seja ficar de joelhos na madrugada enquanto o filho não chega de uma festa ou sempre falar que se mata de trabalhar todos os dias e seus filhos não dão valor. Creio que ser mãe é passar noites em claro enquanto o filho está doente. Talvez ser mãe seja a soma de todas essas partes resultando em um ser que é fonte de purificação dos filhos.
Eu não sei se um dia chego aos pés de ser o que minha mãe é pra mim, ou ser essa coca-cola toda como tantas outras mães que eu conheço, são para os seus filhos.Mas se depender do exemplo que eu tenho em casa , serei uma boa mãe.
Baixinha, fofinha, dedicada à sua profissão, amorosa com os pais e com os filhos, segunda mãe pra genro e nora, sonha comigo... sim, a minha mãe é essa coca-cola toda.
Feliz dia das mães

Esperar

( Praia do Jacaré - Paraíba )

Quem gosta de esperar? Para ser sincera, eu não gosto e acredito que ninguém no mundo  gosta de esperar.
Esperamos nove meses para nascer, mais ou menos um ano para andar e começar a falar as primeiras palavras, quatro anos para aprender a ler e escrever letras quase indecifráveis, treze anos para acabar o ensino fundamental junto com o  ensino médio, quatro ou cinco anos para terminar uma faculdade e dois anos pra terminar uma especialização ou um mestrado.
Esperamos o ônibus na parada, esperamos que alguém desça para sentarmos em seu lugar ou alguém que segure a nossa mochila.
Esperaos aquela aula chata, que parece se arrastar, acabar, ou o chefe insatisfeito parar de reclamar. esperamos pela hora do almoço.
Esperamos em filas de banco, da xerox e até do banheiro.
Esperamos por senhas, sorteios, um encontro com os amigos da escola que , há muito tempo , não ver. Um show do nosso cantor ou banda favorita e por uma viagem para o litoral do nordeste.
Do nascer ao morrer, nossa vida está fadada à espera. E como é ruim esperar.
É ruim esperar quando estamos passndo pelo deserto, chegamos a pedir para morrer. 
É ruim esperar no inverno, clamamos pelo calor e as cores da próxima estação, mas ela não chega.
Esperar requer tempo e paciência. Mas nem todo mundo é paciente.
Esperar requer uma decisão. Mas pouco aceitam esse desafio. Eu não gosto de esperar, mas a vida em si, me obrigada a isso.
Estou aprendendo a viver na espera. Eu não esperei quando tive a oportunidade de ser por amor, estou aprendendo a esperar pela dor. Estou aprendendo a esperar porque estou vivendo na dependência d Deus e ele me diz : "Espere!"
Esperar não é bom, mas é o certo.
Esperar a dor de uma decepção passar, esperar o tempo de se formar e trabalhar, esperar a casa ou o carro tão sonahado, o casamento tão planejado em seus minuciosos detalhes desde a infância, requer muito de nós, principalmente saber que todo esse tempo de espera, valerá a pena.

Presente

 
Só mais um passo e pá! Começa mais um ciclo de 12 meses, de 52 semanas e de 365 dias.
Faz uns dois a três que eu faço reflexões sobre este ano que vai acabar daqui a pouco e conclui que para mim, foi um ano decisivo. 
Mais que decisivo, foi o ano dos presentes.
Eu poderia fazer um texto sobre recomeços, sobre términos, sobre idas e vindas, sobre partidas definitivas, afinal isso resumiria tudo que aconteceu no ano de todas as pessoas. Sim, mesmo sem você perceber, muitas pessoas vieram e partiram sem você se dar conta. Muita coisa começou definitivamente e outras acabaram por enquanto.
E o que restou foram os presentes.
Todos os dias Deus nos presenteia com a vida, com ar, com milagres ocultos, e entre outras coisas que a gente nem se liga de agradecer. Deus, obrigada por pelas coisas que eu nem percebi ou por ingratidão esqueci de agradecer.
Todos os dias, por onde andamos conhecemos pessoas novas, e redescobrimos aquelas que a anos nos acompanham. Algumas pessoas passam muito tempo na sua vida e saem sem aviso, sem dizer adeus, sem dar satisfação, para que no final cheguem aquelas que não teriam pressas pra ir embora. Todos os dois tipos de pessoas são presentes.
Todos os dias temos experiências boas e ruins, aquele dia que você quer que acabe logo, e aquele que você quer viver pra sempre. E em cada um, o presente do aprendizado. 
A nossa vida é uma dádiva. Não faça promessas de final de ano, só agradeça pelo presente que Deus te deu que é a vida. 
Aos meus leitores e amigos, um 2015 mais que feliz. Deus abençoe todos os 12 meses, 52 semanas , 365 dias, cada milésimo de segundo deste ano!

Dezembro dos Recomeços...ou não.


Olhei durante esses primeiros dias muitas pessoas "encomendando" para dezembro coisas que os outros meses não trouxeram, dizendo que dezembro é a sexta-feira do ano. O engraçado que os meses e dias estão ai a serem construidos por nós e as vezes, nos festejamos tanto a chegada da sexta-feira e durante o final de semana não fazemos nada. 
A seguinte frase foi a que me chamou mais a atenção: "Primeiro dia do mês, ultimo mês do ano e um coração cheio de vontade de recomeçar." Frase linda, depois de ter conversado sobre recomeços e refletir sobre as pessoas e seus pedidos impossíveis possíveis, me levou a conclusão de que, não preciso esperar a sexta-feira pra celebrar, muito menos dezembro para abrir meu coração para recomeços.
Sempre é hora de recomeçar. Eu estou recomeçando também. Outra vez. Se vocês virem os históricos dos textos desse blog, perceberão que todos os texto, ou tem um fim, ou tem um recomeço.
Acho que recomeçar é voltar ao ponto de partida quantas vezes forem necessárias, e deixar o que não serviu para trás pra dar continuidade a nossa travessia. Mas não tem hora marcada. Não tem ano marcado ( ou pelo menos não devia ter).
Não podemos esperar que um ano, mês ou dia acabe para colocar em ação o plano de recomeçar. Cada segundo temos pequenas mortes e um novo começo.
Percebo que todos os anos as pessoas resolvem estabelecer metas a cumprir no ano que vem, mas não entendo o porquê da dificuldade de estabelecer uma meta hoje pra realizar amanhã? Entendo que para algumas para algumas coisas são necessário tempo. mas as que não precisam ?
Há quem diga que refazer o caminho não vale a pena, mas há aqueles que lamentam por terem traçados caminhos errados.
Esse finalzinho de ano, faça diferente: se você quer mudar, mude hoje. Amanhã pode não ter o que mudar. A hora é agora.
Não lamente se você demorou para despertar para as coisas que você tanto quer alcançar, agradeça porque você acordou a tempo. Eu conheço inúmeras pessoas que estão velhos e nunca tiraram um sonho do papel. Conheço também jovens que, apesar de se verem obrigados a voltar ao ninho, nunca cogitaram em parar de voar.

Eu tenho que deixar você ir


Sempre tive comigo a certeza de que, quando se ama muito alguém, não deve deixá-lo ir nem por um segundo. Bom, acho que dessa vez tenho que deixá-lo ir, não por um segundo apenas. Fique certo de que se eu pudesse, de certa forma, "matar" esse segundo e ficar presa no instante em que eu ainda teria que decidir se largaria a tua mão ou se apertaria com mais força.
Eu tenho que te soltar, deixar você ir. Eu tenho sonhos e você fazia parte deles, até resolver sumir e fazer eu manter a minha palavra - que em tantas outras vezes passei por cima - de que se isso acontecesse outra vez, ela seria cumprida.
Eu tenho que deixar você ir, não importa em quantos pedaços meu coração vai ficar. Eu não vou voltar atrás, seja qual for a decisão que eu tomar. Não tenho mais tempo de estar voltando, sabendo que, se voltar, eu vou me desfazer outra vez. Melhor eu juntar meus pedaços pra ver se os remendos dão jeito.
Eu tenho que deixar você ir se o meu propósito é alcançar meus sonhos e eu não me desfaço deles por causa das suas inconstâncias. Nem as de ninguém.
Eu tenho que deixar você ir mesmo que doa não poder mais mergulhar no mar que são teus olhos, e mesmo sem dizer nada, deixar você saber que eu te amo. Mesmo que doa saber que o sorriso que nunca foi só meu não irá me acalmar nos dias difíceis, eu tenho que deixar você.
Eu tenho que deixar você ir mesmo que doa saber que teus braços não me envolveram como antes, mesmo que eu não sinta outra vez, a maresia fará com que teu cheiro sempre fique na memória.
Mesmo que doa eu tenho que deixar você ir e abrir mão de escutar a tua voz dizer que sou chata, louca, ou falo demais. Que eu não escute mais as tuas histórias sobre passado presente e futuro, eu tenho que deixar você ir com a certeza de que não estou nos teus planos e que eu sempre vive no engano, achando que um dia você ia me deixar entrar e fazer parte. E eu virei mais um caso do passado.
Eu tenho que deixar você ir pra ver se caminho sozinha, se me permito ao menos virar a esquina dessa longa história, que para mim era de amor.
Eu tenho que deixar você ir, eu tenho que te soltar agora. Não é fácil que as pessoas nos escapem das mãos, mas às vezes, é necessário. Talvez, quem será liberto não é você. Eu só tenho que deixar você ir.
Eu nem sei ao certo o que eu estou fazendo ao olhar a pasta que eu mantenho escondida no meu computador com fotos nossas. Não sei nem porque a escondi. Parece coisa de adolescente apaixonada que se esconde de um amor platônico que segue por todos os cantos, sabe de todos os seus passos.
 O fato é que ao olhar aquelas nossas fotos pude relembrar de todas nossas histórias, as quais eu queria continuar a escrever e trazer à memória todas as imagens não registradas de nós dois.
 A saudade que eu sinto de você é tipo sentir fome…com alma. Sentir saudades de você é ter o coração sedento por nós dois juntos outra vez.
 Quando te conheci, te achei tão indefeso e tive vontade de pegar seu coração na mão e soprar vida pra dentro de você. Mas isso foi você quem fez comigo, de um jeito todo teu, inspirou-me poesias, soprou-me vida, despertou-me o desejo e o impulso de viver o que eu jurei nunca mais querer. Você sim pegou meu coração com a mão e me fez viver cada fantasia e cada agonia. 
 Hoje eu pego as fotos e guardo em uma caixa, pra preservar exatamente tudo, até as sensações que você me faz sentir quando está por perto.
 Porque lembrar de você, faz com que eu lembre de mim. Olhar pra você, faz com que eu enxergue a mim. Aprender sobre você é como descobrir mais de mim. Eu sou bem melhor com você.
 Você é bem mais que lembrança que eu teimo em abraças pela imaginação, você foi muito importante. Você é meu grande amor.
 
( você encontra mais devaneios soltos aqui  )

Porta Entreaberta


E mais uma vez ele foi e deixou a porta entreaberta. A casa ficou mais uma vez vazia, cheia do eco de suas próprias dúvidas, de que, como sempre, será se ele vai voltar?
Em cada parede as evidências de quem ainda não sabe o que se foi, o que se perdeu. Quantas vezes, ele saiu sem avisar que voltaria? Quantas vezes ele saia para se divertir com outras, enquanto entre  aquelas paredes ela esperava ansiosa ele voltar? Quantas vezes ela escancarou as portas, janelas e o coração, esperando ele voltar? Inúmeras.
Hoje ela se pergunta se não é perigoso abrir a sua casa assim pra quem quer ser apenas uma visita, passar uma estação e não fazer moradia.
As gavetas continuarão desocupadas, o lado da cama continua a ser seu.
Cuidado com a próxima vez que deixares a porta entreaberta.
Cuidado com as suas idas e vindas, uma hora você irá encontrar as portas e janelas trancadas, ai não vai adiantar jogar pedra.

Desculpas


Não sou o tipo de pessoa que vive a se desculpar por algo que faço, pra ser sincera, eu meio que fico de saco cheio de gente que vive se desculpando. Não pelo fato das desculpas em si, mas pelo fato de ter feito uma coisa por querer, e mesmo assim pedir desculpas, ou se desculpar por expor sua opinião.
Sei que essa minha maneira de posicionar-me frente a este ato é meio radical, mas eu não sou boa em pedir desculpas, principalmente quando estou certa. 
Um quê de orgulhosa? Eu diria que um alfabeto inteiro de orgulho. Por isso, se alguma vez eu lhe pedi desculpas, quiçá , perdão, saiba que eu realmente prezo a sua presença na minha vida ao ponto de dar o braço a torcer, ou estou muito convertida ( amém ).
Sei que isso vai de encontro aos meus princípios religiosos, mas já fui muito transformada quando o assunto é pedir desculpas, até pelo o que eu acho estar certa. Eu fui entendendo que, mesmo na ingenuidade, por palavras, atitudes mal combinadas, sentimentos omitidos magoamos sem querer as pessoas,essas sim,merecem meu pedido de perdão. 
E não é porque eu não gosto que as pessoas fiquem o tempo todo pedindo desculpas, que você pode fazer a besteiras que for, que eu não vou esperar um pedido de desculpas, porque eu vou sim!
Mas se for pra pedir desculpas por coisas sem sentindo,devo começar a pedir de agora.
Desculpa mundo por eu existir. Mas, Deus foi quem me colocou aqui e eu não vim pra cá pousar de vítima com as palhaçadas que as tuas giradas dão. 
Desculpa sociedade por eu ser assim. Mas graças a Deus eu sou tão feliz com a poesia que eu construo a cada dia, a cada rasteira que as pessoas falsas que tu formas me dão, que além de te pedir desculpas, devo te agradecer: obrigada!
Amigos, me desculpem por várias vezes pensar mais em vocês do que mim e por conta disso eu acabar me ferrando por vezes e ainda sim, me passar por egoísta. Desculpa pelas vezes que marquei de sairmos ou uma visita e na hora H, furei. Não tenho explicações para isso, só pedido de desculpas mesmo.
Ao meu amor, eu peço desculpas por não mergulhar de cabeça nesse relacionamento que não é tão relacionamento assim. Aliás, eu tenho que te pedir desculpas pelo fato de que, sempre preciso que você me diga o que somos pra responder a quem me pergunta, sendo que o que somos é bom e diz respeito só a nós. Desculpa por te querer a todo tempo.
E que me desculpem meus ex-namorados mas o despeito é fundamental! Não é que vocês sejam tão ruins, mas faz parte da vida dizer aos outros o quanto vocês me fizeram sofrer, ou o quanto eram bobos por e para mim. 
Aos que acompanham o meu blog, desculpa pela falta de tempo, ando escrevendo muito e postando pouco. Acho que é isso que a vida adulta nos proporciona : a falta de tempo para coisas prazerosas. 
Me desculpem pela epidemia do ebola,de certa forma eu sou culpada de todo o mal que assola a África, seja pelo capitalismo ou por falta de orações. Me desculpem também pelo aquecimento global, mas eu uso desodorante aerossol, os outros me causam irritação. Eu também prefiro anda de carro ao invés de ônibus ou bicicleta porque eu sou mais uma burguesa que gosta de conforto.
Me desculpem pela situação política no Brasil, eu votei na atual presidente sim, agora me joguem pedras. Se ela foi eleita, não foi apenas o meu voto que a fez presidente.
Desculpem pela conta de energia, ela veio mais cara este mês e o calor está anormal.
Desculpem a maneira que eu me visto, até porque, quem paga pelas minhas roupas sou eu e minha mãe, não você. Mas todos presentes serão bem-vindo.
Me desculpem por pessoas que pedem desculpas até por ter nascido, ou pela morte da bezerra. Eu não sei lidar com tantos pedidos de desculpas assim. Desculpas se eu não sei pedir desculpas. 
E por último : me desculpem pelas desculpas. Eu só estou cansada de ouvir tantas desculpas, ou ter que inventar mais desculpas.
Desculpa!

Resiliência


Algumas semanas atrás aconteceu um episódio muito interessante comigo na aula, que trouxe outra vez vozes da morte sussurrar em meus ouvidos e desta vez, pude ouvir que eu não tenho sentimentos, por rir de uma situação que não era apropriada.
Pois bem, não vou explicar o porquê de ter sorrido, e não pensem vocês que  sou uma psicopata ou uma sádica (acabei meio que explicando ) que se regozija no sofrimento dos outros. Vim falar sobre resiliência.
E o que tem a ver resiliência com rir de situações inusitadas ?
Quem acompanha o blog deve ao menos imaginar que a maioria dos meus textos são bem pessoais e carregados de sofrimento, principalmente os mais antigos. A vida é isso. Não há quem tenha passado por ela sem sofrer ao menos com uma dor no canto da unha. E apesar de dor está associada a um incomodo físico, ela é subjetiva. Cada um tem sua maneira de sentir e expressar a sua dor. Às vezes o surgimento de uma espinha pode doer tanto quanto o fim de um relacionamento que parecia ser verdadeiro. Vai entender a mente humana! 
Eu sofri com perdas irreparáveis e não foi durante dias, foram anos de dias de chuva e dias de sol.
Em um desses dias, pude ler em uma revista sobre resiliência, um conceito da física que é a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma tensão, que foi adaptado para a psicologia, é claro, de maneira mais subjetiva, que caracteriza pessoas que são capazes de lidar com contingências aversivas, situações estressantes, níveis altos de estresse e voltar ao seu estado "normal". Não só isso, como também tirar proveito das boas e más situações( pelo menos, foi isso o que eu entendi)
É como se fosse um coqueiro na faixa litorânea, que depois da tempestade, dos ventos fortes, ele continua de pé. Até tentaram derrubar o pobre coqueiro,pode ser que ele tenha ficado torto, ou os seus frutos e estejam bagunçados, mas depois que o sol volta, ele continua em seu lugar.
Depois de entender isso, passei a rir mais da minha vida, tirar proveito das situações desastrosas e principalmente, do meu sofrimento. A rir quando as contingências são favoráveis ou não. Eu vi que a vida fica mais fácil quando eu não paro pra fazer birra só porque ela não está como eu quero. 
Mesmo quando o coração está em pedaços e a alma inundada de lágrimas, hoje eu consigo abrir um sorriso no rosto e internalizar que amanhã, tanto a alma, como o coração, estarão juntos com os meus dentes esboçando um sorriso sincero com a certeza que o sol da minha vida vai voltar a brilhar. É só mais um dia nublado, a nuvem vai passar.
Aquelas vozes cessam ao meu ouvido ao lembrar que, apesar das críticas, cada um tem sua subjetividade, resiliência. Passo a respeitar tanto a opinião do outro sobre mim, porque sei que pra mim, também é difícil aceitar o outro na ia subjetividade.
O que eu preciso trabalhar em mim, não sou eu, como todos os homens, não é a minha " falta de sentimento ", ou qualquer outra característica minha peculiar que incomoda o outro, e sim o meu respeito pelo seu incomodo.
Quanto a rir da tragédia alheia, a vida nos dar tantos motivos para chorar, porque não tirar onda com a cara dela !?

Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger