2 anos





Planejei algo mas as circunstâncias acabaram me levando a trilhar um caminho doloroso, que é o do perdão. Depois do Toque do alto alcançar esse meu coração maltrapilho, resolvi procurar pistas que nos trouxeram até onde chegamos.
Tudo começou no culto "O banquete",aliás, para mim começou quando a minha miopia milagrosamente desapareceu e eu consegui te enxergar na ultima fileira de cadeiras do lado esquerdo da igreja, enquanto eu louvava o Senhor com minha dança. Naquele dia eu declarei que você seria minha nova paixão platônica. Mas o nosso Deus não é um Deus que une pessoas, ele uni propósitos e o nosso começou no dia 18 de dezembro de 2014 quando eu ainda te chamava de Gigante de Aço e você me chamava de Menina Linda. A diferença das nossas alturas nunca foram desculpas para um abraço tímido de amizade especial, mesmo que eu não conseguisse te alcançar em um abraço, você me prometeu que me colocaria nos pés. Como brisa leve ou ventania, você chegou para que eu aprendesse que o amor de Deus sobre a minha vida tinha sua extensão



E na minha primeira oração do ano seguinte, entre louvores de gratidão, lá estava você que com um sorriso amarelo e  grande me fez amar seu coração e lembrar que fazia tempo não me sentia assim com alguém: em paz, em par. Mesmo não conseguindo ainda definir o que sentia continuei a caminhada segurando a sua mão, em prece, que mais na frente iriam nos mostrar que todo aquele misto de indefinições era amor. É amor! Tudo que temos hoje foi construído a partir do momento que decidimos amar: a Deus, um ao outro e vidas.
E passaram 1,2,3...8 meses de preces para que teu coração e o meu fosse um só diante de Deus. E hoje chegamos até aqui. Acabou, como diria o Pr. Abe Huber : "Isto é só o começo!"
Discussões, separações, momentos de "ownnn" e outros de "AHGRRRRR!", alegrias e tristezas, primeiros empregos e decepções com a escolha das carreiras, chegadas e partidas, um temporal que fez você mudar de planos, um show de stand-up e um pedido de casamento mais engraçado e lindo do universo ( pelo menos o meu universo)
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Não meço minhas palavras pra dizer que você é minha "yellow umbrella" , meu "lebenslangerschicksalsschatz".
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 E que eu não roubaria apenas uma trompa azul pra você, mas por você eu roubaria uma orquestra inteira.
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Precisamos falar sobre vida



A juventude é analogia perfeita para o que de fato é a vida, caso pudéssemos defini-la.  Essa mesma  vida que se fraciona em fases, estações...
Vida que tem inicio e em algum momento terá fim. E quem vive ( ou apenas existe, vegeta, e etc.) quase nunca para pra pensar na finitude de algo  tão liquido, que se nos agarrássemos, se fecharmos a mão, esvai. Não dá para repor, não dá para trazer de volta.
Ouvi dizer que muitas vezes, diante da morte, os verdadeiros milagres são os que ficam. Eu tenho que concordar que sobreviver com a falta é um comportamento milagroso.
Quando uma vida se vai, o que fica são as pessoas que dedicaram amor, companhia, experiências compartilhadas , lembranças marcadas em fotografias, sorriso que muitos irão levar por uma vida inteira, outros por algum tempo até que os detalhes vão se perdendo, cai no esquecimento.
No hoje, fica o remorso do ontem não ter dito "eu amo você", "eu te perdoo", ou "como minha vida é melhor por ter você". E começam a surgir os porquês: por que eu o (a) deixei ir? Por que eu não a abracei? Por que Deus o (a) levou ? Por que eu não ofereci flores em vida?
Diante de uma tragédia recente que teve uma vítima fatal, vi em uma rede social a seguinte postagem: " Cada vez que um jovem se vai, (independente da aproximação que temos com ele ) vai também uma luz inconsciente do nosso coração que sempre acredita na FORÇA DA JUVENTUDE." Eu concordo. Algo se foi também de mim. Seja por compaixão, empatia ou por me dar conta da linha tênue entre a morte e a vida. Algo se foi. mas também muita coisa fica.
E é o que fica que quem sobrevive, seja a um acidente, uma perda ou traumas, tem que administrar, tem que escolher o que fazer mas não neste ou naquele exato momento, mas quando o luto passar, a dor. Isso nunca passa. Já dizia algum físico ( sou de humanas, não sei quem disse, rs ) que na natureza, nada se perde, tudo se transforma, que possamos transformar a nossa dor, a nossa ferida, em cicatrizes que podem ser  futuramente bálsamo para as pessoas que sofrem como um dia a gente sofreu. Que possamos abraçar mais, perdoar mais, demonstrar nosso amor e gratidão em vida, afinal, se apertarmos muito a vida, ela foge... ela é liquida.

Carta póstuma à Augusto


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São Luís, 05 de junho de 2016
Olá pai, faz mais um ano que você foi embora. Já são seis anos que eu não te vejo. No começo eu não aceitei muito bem a ideia da sua partida, cheguei a questionar a Deus o porquê. Eu sei, toda errada. Não foi assim que me ensinaste, mas a ser grata a tudo, até aquilo que não é agradável.
Estou a duas semanas de terminar a faculdade, posso dizer que venci na vida ( esse é um jargão de uma menina daqui de São Luís que ficou famosa por nada, sei que iria odiar ouvir os snaps dela.). Foi difícil chegar até aqui, incontáveis foram as vezes que eu quis desistir. Deus não deixou. Mamãe também não. Fico triste por não poder dividir esse momento tão esperado com você, assim como a Nayra e o Thallysson ficaram. Mas você estava lá, no coração dos dois. Assim como vai estar em todos os momentos importantes da minha vida, no meu coração.
Vai ser difícil não entrar coom você na minha formatura, no meu casamento, não ver os meus filhos te chamarem de vovô. Ah, como eu queria tudo isso!
Sabe, a gente tem se virado bem. A gente cresceu bastante. Dona Tânia mostrou sua real força, que apesar da carinha de boba, ela é uma guerreira. O Thallysson, bom, ele é o melhor irmão do universo. Desde aquele dia terrível, nunca deixou de cuidar de mim. Um homem feito. Não só da idade, mas de atitudes.
Eu passei por muitas decepções. Por que quando conversávamos na porta de casa vendo estrelas, o senhor não me falou que era difícil ser adulto? Será que deixou com a vida a tarefa de me ensinar essa difícil lição. Talvez, suas conversas sobre a infância era a deixa pra alertar que eu devia continuar sendo criança. E tem sido assim que eu vou vivendo até o momento: tentando ser criança no amar e perdoar.
Falando nas estrelas, por um bom tempo foi dolorido olhar pra elas. Hoje eu olho pra elas junto com o Jackson, ele sempre fala que queria ter te conhecido e ter sua aprovação. Ele é folgado, mas tenho certeza que iria gostar dele.
Sua partida deixou um buraco enorme. Não fica triste! Deus já preencheu. E eu sei que escrever tudo isso pra alguém que nunca vai ler parece bobo, tosco... que eu seja. Só queria ter a sensação de conversar com você. Sem um céu estrelado, mas um papel todo rabiscado com um ar de curiosidade, de uma pergunta que nunca será respondida, de uma valsa perdida. Eu sei, que se estivesse aqui, se orgulharia de mim.

A menina que habitava em mim

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Acho que estou em meio a crise de identidade, aquela típica crise que acomete os jovens adultos, que tentam se desprender das irresponsabilidades comuns e superficiais para assumir grandes responsabilidades que  a vida traz.
Dói crescer. E é quando começa a latejar que costumamos buscar na caixa da lembrança a criança que um dia fomos, a inocência que um dia habitou em nós.
Ah, se aquela menina que habitava em mim - que sonhava em ser adulta o quanto antes - descobrisse que crescer era uma tortura necessária, teria preferido viajar para a Terra do Nunca e se tornar uma versão feminina do Peter Pan. Teria preferido estudar no quadro negro quebrado no fundo do quintal da sua casa, onde o problema de difícil solução  era 2x10.
Não imaginava e teve que crescer bem antes do que previa em seus devaneios infantis. Viu que ser adulto, por diversas coisas, às vezes é um saco, e que mais difícil que 2x10, são os inúmeros trabalhos da faculdade assombrados pela bruxa da ABNT.
A menina que habitava em mim sonhava com um casamento digno de uma super produção da Disney, com um homem que ela não conseguia imaginar o rosto, mas que tinha certeza  que todo amor que havia guardado em seu coração um dia, seria dele. Ao invés disso, a menina cresceu e entregou seu amor pra "qualquer uns" que levaram aos poucos cada pedaço do seu sonho, pedaços de quem ela era, até ficar apenas os escombros.
Se ela soubesse que aquela briga com sua melhor amiga na infância por causa de um chocolate não foi a pior de todas  que viriam, teria comprado mais chocolate para desbancar os conflitos intensos de hoje, onde todos estão certos e ninguém dar o braço a torcer. Sim, o fim dos conflitos seriam tratados de paz com um doce compartilhado que em silencio diria :"eu te perdoo".
Eu me pergunto se a menina que habitava em mim se orgulharia da mulher inquilina. Será que ela não iria fazer caretas pra essa mulher tão ranzinza? Será que reconheceria nesta mulher o seu sorriso e seus sonhos de infância? Será que ela teria vergonha das minhas vergonhas, ou até mesmo daquilo que estufado no meu peito, me orgulho ?
Essa criança ainda vive em mim, ou eu a mandei embora, a matei? Tudo que eu mais queria agora é aquela menina de volta.

Luzes na cidade


A sensação era a de que aquele cubículo a qualquer momento poderia me engolir, apertava meus livros contra o peito para que aquela sensação claustrofóbica desaparecesse. 12°, 13°...olhei para ele e sorri tentando disfarçar o meu medo ou talvez mostrar que era durona e corajosa. Ele me devolveu o sorriso como se tivesse entendido a mensagem subliminar que passara. Não sei mas aquele sorriso acalmou o meu coração.
14°,15°...enfim chegamos! A cena parecia de filme de terror. E mais o meu coração palpitou de medo e tive vertigem. Nunca estive em um lugar tão alto.
Mais umas escadas, portas de emergências macabras, uma janela que mal cabia o meu corpo - ou talvez eu fosse desajeitada o bastante para não caber - e lá estava a cena mais linda que vi até agora; o medo de altura e a vertigem se confundia com a paz e a gratidão de , após um dia corrido, admirar as luzes da cidade aos poucos se acederem, enquanto a penumbra se transformava em breu.
Fechei os olhos e agradeci. Muito. A Deus, por estar naquele terraço e por me aventurar na companhia que estava. Olhei pra ele e o abracei. Continuei a olhar para o horizonte de carros que mais pareciam vaga-lumes e não conseguia pensar em nada, a não ser o quão bom era ficar ali.
Eu lhe jurei amor mais uma vez com sussurros, dessa vez olhando para o céu  que começava a salientar as tímidas estrelas.
Senti o vento nos cabelos e no rosto, enquanto eu sentia todo amor dele por mim, com o gesto puro de segurar as minhas mãos.
Naquele momento desapareceu tudo para nós. Ficou Deus, ele, eu e os nossos planos de um futuro juntos, brilhando junto com as luzes da cidade que se acendia.
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